Analfabetismo cultural
Estamos diante de um problema sério que envolve educação e cultura. Pois enquanto os governos pressionados pelos organismos internacionais tentam a qualquer custo reduzir o índice de analfabetismo educacional. Nada fazem para conter o analfabetismo cultural. E até incentivam grandes multinacionais e marcas nacionais a venderem, cada vez mais o supérfluo, é investir num sonho passageiro.
O recheio do biscoito pode ser doce, gostoso, cremoso ao prazer de ver no ídolo, o corpo perfeito da modelo que morre de inanição ou esvai-se a vida numa utopia de ser jogador de futebol, artista de TV ou cinema...
Enfim, somos consumidores de lixo, não só porque poluímos o planeta, mas porque produzimos lixo, produzimos idéias descartáveis na cabeça dos nossos jovens. Isso acontece porque somos analfabetos culturais.
Pergunte aos seus filhos ou aos jovens adultos de 25 a 35 anos. O que é Reisado, Terno das Pastorinhas, Roda de São Gonçalo ou Batuque? O vazio, na maioria das vezes será a resposta.
Idéias multiculturais são oferecidas nas prateleiras dos supermercados da mídia, você compra, eu compro, nós compramos essa porcarias todas porque não temos algo que nos identifica como alguém que habita, que reside nesta ou naquela cidade.
Nossos artistas são excelentes, nos fascinam, nos emocionam quando se apresentam, quando cantam e dançam capoeira, por exemplo. Mas nunca gravaram um DC porque suas músicas não incentivam o consumo do álcool para as empresas de bebidas obterem grandes lucros e nem menos incentivam o sexo e nem tão pouco apresentam mulheres seminuas com danças obscenas.
A cultura de raiz permanece, embora que, criando mecanismos para resistir ao inimigo, “capitalista”, da cultura do agora, das celebridades instantâneas, etc.
São Raimundo Nonato - PI
Colunista Agnaldo Ribeiro
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