Celulares podem causar câncer, segundo a
OMS. Veja como se proteger
Os riscos são pequenos, mas você não precisa jogar seu celular fora para evitar
o problema. Bastam pequenas mudanças nos seus hábitos.
SAN FRANCISCO (06/01/2011) - A radiação emitida por telefones celulares pode ser
um fator causador de câncer, diz a Organização Mundial de Saúde (OMS), que até
esta terça-feira dizia que os aparelhos não apresentavam riscos à saúde. A
mudança de opinião aconteceu porque a Agência Internacional de Pesquisa do
Câncer, vinculada à OMS, diz ter encontrado um vínculo entre a radiação emitida
pelos telefones celulares e um risco maior de um tipo de tumor cerebral chamado
glioma.
O anúncio não é resultado de novas pesquisas, mas sim de uma nova interpretação
de estudos já existentes feita por um painel de 31 cientistas de 14 países,
trabalhando em conjunto durante uma semana. Eles adicionaram campos
eletromagnéticos de radiofrequência a uma longa lista de agentes “potencialmente
cancerígenos”, junto com substâncias como o óleo de coco, DDT, vapores
resultantes da queima de gasolina, chumbo, talco, dióxido de titânio e até café
(!), além de algumas variantes dos vírus HIV e HPV.
Em contraste a radiação ionizante, solar e ultravioleta é classificada como
“cancerígena”. “Potencialmente cancerígena” é o nível seguinte na escala (do
maior risco para o menor). A radiação emitida pelos celulares cai na terceira
(2B) de cinco categorias de risco. Para deixar claro: a classificação não
significa que os celulares causam câncer, mas que existem indícios de uma
conexão entre ambos, e que mais estudos são necessários. Ou seja, é o
equivalente científico de um "por via das dúvidas, vamos olhar isso com mais
atenção".
A CTIA, um grupo de representa a indústria da telefonia móvel, rapidamente
respondeu dizendo que a classificação “não significa que os celular causam
câncer”, o que tecnicamente é verdade. A FCC e FDA, agências do governo
norte-americano equivalentes às nossas Anatel (telecomunicações) e Anvisa (vigilânica
sanitária) também mantém a posição de que não há evidências ligando a ocorrência
de câncer ao uso de telefones celulares.
Entretanto, a maioria dos cientistas concorda que não há um veredito definitivo
sobre se os celulares ameaçam nossa saúde. Como a radiação emitida pelos
celulares é não-ionizante - ao contrário da emitida por uma explosão nuclear ou
uma máquina de Raios X - a opinião geral é de que a única forma dela danificar
tecido humano é se um celular superaquecer.
Mas ao mesmo tempo, poucos especialistas podem afirmar com certeza que usar um
rádio de microondas bidirecional próximo ao seu corpo é absolutamente seguro.
Afinal, campos eletromagnéticos desempenham grande papel no funcionamento de
nosso organismo, então quem garante que a radiação eletromagnética não nos
afeta?
O painel da OMS analisou pesquisas que incluem os resultados de um estudo com
uma década de duração realizado pela Interphone, que no geral não conseguiu
estabelecer uma conexão entre os tumores cerebrais e o uso de telefones
celulares. Entretanto, o painel de cientistas notou que um outro estudo
correlacionou 30 minutos ou mais de conversa diária ao celular a um risco 40 por
cento maior no surgimento de gliomas ao longo de 10 anos. E um terceiro estudo,
publicado em fevereiro pelo Journal of the American Medical Association, mostrou
que a radiação emitida pelos telefones celulares modifica a química cerebral,
causando um aumento nos níveis de glucose.
Alguns grupos acusam a indústria de telefonia móvel de transformar os 5 bilhões
de usuários de celulares em todo o mundo em cobaias. Entre eles está Devra
Davis, uma epidemiologista que fundou o Enviromental Health Trust e escreveu o
livro “Disconnect: The Truth About Cell Phone Radiation” (Desconexão: A verdade
sobre a radiação dos telefones celulares, em tradução livre). Ela sugere que
muitos pacientes que sofrem de tumores cerebrais raros também fazem uso intenso
de telefones celulares, como o Senador Ted Kennedy, que morreu em 2009.
Em resumo, dada a evidência atual a única forma certa de transformar um celular
em uma “máquina de matar” é prestar mais atenção à ele do que à rua enquanto
você dirige. Mesmo assim, se você prefere ter um pouco de cautela, pode usar as
dicas abaixo para reduzir sua exposição à radiação sem prejudicar sua
produtividade.
1. Use um Headset
Você terá exposição muito menor à radiação se usar um headset em vez de encostar
o celular na sua orelha. Pode ser um headset Bluetooth, ou os fones de ouvido
com microfone no cabo que acompanham boa parte dos aparelhos hoje em dia. Outra
opção (de preferência em um local privado) é usar o viva-voz.
Se nada disso for possível, consulte o manual do aparelho e veja o que o
fabricante recomenda. A Apple, por exemplo, aconselha os usuários a segurar seus
iPhones a uma distância de cerca de 1,5 cm da cabeça.
2. Mantenha o celular fora do bolso
Homens que pretendem ser pais devem evitar manter seus smartphones no bolso da
calça ou presos ao cinto, já que há estudos que relacionam o uso de celulares a
uma redução na quantidade e qualidade dos espermatozóides.
Por razões óbvias, não há estudos que exploram como a radiação emitida pelos
celulares pode afetar fetos em desenvolvimento. Mas se você está grávida, já
está evitando comer queijo minas, conservas e frutos do mar, então porque
arriscar colocando um celular perto da barriga?
3. Mande SMS em vez de falar
Há menos radiação envolvida no envio de uma mensagem de texto do que em uma
chamada. Só não envie mensagens enquanto anda, e muito menos enquanto dirige.
Bater o carro (ou a cabeça em um poste) irá machucá-lo muito mais rápido do que
qualquer forma de radiação que possa ser emitida por seu celular.
4. Desligue o celular
Mesmo se você gosta de checar seu e-mail à meia-noite, não há necessidade de
manter o celular ligar o tempo todo. Os cientistas podem não ter certeza quanto
à radiação emitida pelo celular, mas stress e falta de sono com certeza irão
prejudicar sua saúde. E em vez de manter o celular perto do travesseiro para
usá-lo como um despertador, prefira usar um despertador tradicional ou
rádio-relógio.
5. Fique de olho no sinal
Em áreas com pouco sinal o celular faz um “esforço extra” para se comunicar com
a torre (aumentando a potência das transmissões), o que pode aumentar sua
exposição à radiação. Evite usar o celular nestes locais.
6. Procure aparelhos com baixos níveis de SAR
Em teoria os níveis SAR (Specific Absorption Rate, ou “Taxa de Absorção
Específica”) dizem o quanto da energia emitida por um aparelho é absorvida por
seu corpo. Ainda assim, comparar estes níveis não é como contar as calorias da
sobremesa. O nível não é sempre o mesmo enquanto você conversa, manda mensagens
de texto ou usa um aplicativo em um smartphone, e cada atividade envolve um
nível de sinal diferente. A CNET publica uma lista frequentemente atualizada com
os aparelhos com os maiores e menores níveis de radiação.
7. Mantenha os celulares longe do alcance das crianças
Se a radiação não-ionizante pode afetar os cérebros dos adultos de formas que
ainda não entendemos, então pode provavelmente afetar ainda mais os cérebros das
crianças, que ainda estão em desenvolvimento. Se você quer deixar seu filho ou
filha brincar com um joguinho no celular, pelo menos coloque o aparelho no modo
avião, o que desliga todas as interfaces sem fio e encerra as transmissões de
radiofrequência.
8. Não acredite em “bloqueadores de radiação”
Na web, revistas e TV é possível encontrar inúmeros anúncios de produtos que
“protegem” o corpo contra radiação eletromagnética (EMF). Mas não há prova
alguma de que um simples adesivo ou medalhão possa funcionar como anunciado, se
é que funciona. De fato, alguns desses produtos podem forçar o celular a emitir
mais radiação, na tentativa de compensar algum bloqueio de sinal.
Fonte: Elsa Wenzel, PCWorld EUA
São Raimundo Nonato-PI, 02/06/2011
Colunista Gilvan Santos
MSN: gilvancasabranca@hotmail.com
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