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Mulheres preferem pagar troca de
silicone adulterado do próprio bolso
Apesar do compromisso de planos de saúde e do Sistema Único de Saúde
(SUS) de bancar a troca das próteses mamárias PIP e Rófil com ruptura,
algumas pacientes assustadas preferem pagar suas próprias cirurgias e
afastar de uma vez o risco de problemas com os implantes -- mesmo sem
sinal de rompimento.
O Ministério da Saúde determinou que os dois sistemas devem cobrir os
gastos de exames de diagnóstico e cirurgias para quem tiver implantes
das duas marcas. A cirurgia será feita em quem teve rompimento do
implante. Fora isso, quem tem histórico familiar de câncer de mama e
sintomas de ruptura ou alterações nos exames físicos também poderá fazer
a cirurgia.
As duas fabricantes usaram um tipo de silicone impróprio para implantes
e sem certificação sanitária. As próteses se rompem com mais freqüência
do que a média e o material que vaza é perigoso para a saúde.
'O menor problema seria uma irritação'
A farmacêutica Viviane Aquino ainda nem fez o exame para conferir se há
ruptura, mas já se decidiu pela troca da prótese – do próprio bolso.
“Eu vou tirar mesmo, independentemente do exame”, afirmou. Em 6 de
fevereiro, ela vai retirar o silicone que pôs em janeiro de 2010 e
colocar outro no lugar.
Viviane Aquino mostra a garantia das próteses que comprou da PIP (Foto:
Arquivo pessoal)

A moradora de São Paulo diz que faz os exames de rotina, mas que prefere
não arriscar. “Eu faço o exame hoje, vai que acontece uma ruptura no mês
que vem. Eu só vou descobrir no outro ano”, exemplificou a farmacêutica.
Como profissional de saúde, Viviane fica ainda mais preocupada com o
risco de vazamento. “Sei que a permanência de qualquer material dentro
do nosso organismo que não seja cirúrgico pode desencadear diversos
problemas, o menor deles seria uma irritação”, ela afirmou.
Com pressa, a farmacêutica nem considerou procurar o SUS. “Hoje, para
marcar uma consulta com um ginecologista leva dois ou três meses. O
processo levaria um ano, no mínimo”, estimou.
Câncer de mama na família
A pressa levou Patricia Hering Dorow, catarinense de Blumenau, a uma
decisão parecida. O histórico de doença na família é um fator que conta
a favor na hora de acionar o SUS ou um plano de saúde, mas que também
pesa na cabeça de quem está com a prótese da PIP.
A
catarinense Patricia Hering Dorow tem histórico de câncer de mama na
família (Foto: Arquivo pessoal)“Minha avó teve câncer de mama, então
estou preocupada”, afirmou a comerciante. “E minha mãe está na mesma
situação”.
O exame de ressonância magnética confirmou que a prótese que Patricia
colocou em outubro de 2008 ainda está íntegra.
“O médico que colocou a prótese disse que não tem necessidade de
trocar”, ela disse.
Mesmo assim, a mãe de três filhos decidiu procurar outro cirurgião para
fazer a troca.
Uma das próteses de Patricia já apresentou um pequeno defeito. “Logo que
coloquei, senti que não era consistente”, ela relatou.
“O cirurgião que vai trocar disse que tem uma pequena dobra, não é uma
ruptura”, completou a comerciante. “Não é um risco, segundo o médico”.
Fonte: G1
Fotos: Arquivo Pessoal |
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